O Atrevimento
Como te atreves a pisar
As folhas de carvalho
Nesta manhã bela e vulgar
Que condensa o ar em orvalho
Como te atreves a beber
Da nascente do rio
Nesta manhã a nascer
Onde reina o frio
Como te atreves a trepar
O mais alto penhasco
Neste manhã subliminar
Admitindo que tudo o resto é um asco
Como te atreves a contemplar
O passeio matinal de uma alcateia
Nesta manhã latindo no seu caminhar
Esperando pela noite de Lua Cheia
Lírica vermelha, social, conflituosa, introspectiva, preocupada, livre, patriótica, agressiva, gritada, dolorosa e apaixonadamente manufacturada.
segunda-feira, novembro 01, 2010
segunda-feira, outubro 25, 2010
Ladra de Dálias
Ladra de Dálias
Quero-te nua!
Num quarto na penumbra
Lembrando-te que a culpa é só tua
Acariciando o teu corpo que tão calorosamente me deslumbra
Com os teus belos pulsos amarrados ao tecto
Respirando um enjoativo mofo
Chicoteio-te com todo o carinho e afecto
Sorrindo para não mostrar esta cólera de que sofro
Não te quero fazer pouco mal
Quero escrever cortando-te
Nessas feridas deitando sal
Minha amada, eu amo-te...
Porque a culpa é tua!
Arrancaste uma de minhas dálias alegremente
Tua campa será a calçada da rua
Na qual eu cuspirei incessantemente
Sim eu sou egoísta!
Admito-o orgulhosamente
Sem moral eternamente niilista
Te mato minha ladra, cruelmente!
Quero-te nua!
Num quarto na penumbra
Lembrando-te que a culpa é só tua
Acariciando o teu corpo que tão calorosamente me deslumbra
Com os teus belos pulsos amarrados ao tecto
Respirando um enjoativo mofo
Chicoteio-te com todo o carinho e afecto
Sorrindo para não mostrar esta cólera de que sofro
Não te quero fazer pouco mal
Quero escrever cortando-te
Nessas feridas deitando sal
Minha amada, eu amo-te...
Porque a culpa é tua!
Arrancaste uma de minhas dálias alegremente
Tua campa será a calçada da rua
Na qual eu cuspirei incessantemente
Sim eu sou egoísta!
Admito-o orgulhosamente
Sem moral eternamente niilista
Te mato minha ladra, cruelmente!
domingo, outubro 24, 2010
segunda-feira, outubro 18, 2010
Valsa de Outono
Valsa de Outono
Folhas caiem rodopiando em pares
Até atingirem o chão num paço de dança
Voando para outros lugares
Em majestosa elegância
E as árvores misturam os seus tons de verde
Anunciado uma bela e delicada chegada
O Outono onde o calor se perde
Numa valsa magnificamente dançada
E os pássaros que com o seu cantar
Felizes cantando nos encantaram
Partem agora para fugir ao gelar
Prometendo em épocas vindouras dar-nos o prazer de dizer: "Voltaram!"
Lacrimejo agora sobre esta valsa que observo
Pois dela não faço parte
Escondendo esta cólera com que me enervo
Atrás do que penso ser arte
Afinal, de que vale ser o humano
E dizer que nasci livre
Quando um animal nem precisa de o dizer
Para predestinadamente o ser
Folhas caiem rodopiando em pares
Até atingirem o chão num paço de dança
Voando para outros lugares
Em majestosa elegância
E as árvores misturam os seus tons de verde
Anunciado uma bela e delicada chegada
O Outono onde o calor se perde
Numa valsa magnificamente dançada
E os pássaros que com o seu cantar
Felizes cantando nos encantaram
Partem agora para fugir ao gelar
Prometendo em épocas vindouras dar-nos o prazer de dizer: "Voltaram!"
Lacrimejo agora sobre esta valsa que observo
Pois dela não faço parte
Escondendo esta cólera com que me enervo
Atrás do que penso ser arte
Afinal, de que vale ser o humano
E dizer que nasci livre
Quando um animal nem precisa de o dizer
Para predestinadamente o ser
terça-feira, outubro 05, 2010
Melancolia
Melancolia
A melancolia é uma molécula nociva
Constituída por desespero e por uma beleza depressiva
Vagueia no ar com os ventos nórdicos
Misturada em inaudíveis ecos melódicos
E alguns desfazendo-se em lágrimas a inspiram
E em vez de a expirar a suspiram
E esta anexa-se nas partes da mente
Onde se estimula a paixão como nenhum humano a sente
O seu efeito tem uma efémera evolução
Perdemo-nos na apatia e então caímos na depressão
E todo o humano que a respirou torna-se insono
Pois o lacrimejar torna turva a visão para os portais do sono
E enquanto o eco da melodia aumenta de volume
Na cabeça do melancólico, se resume
Um caminho para insanidade e a procura
De alguém não-existente que nos salve da loucura
Esse alguém não-existente não é mais do que uma necessidade
Que a melancolia nos trouxe como antídoto para a infelicidade
Mas esse antídoto não passa de um vulto negro num cenário cinzento
Desvanecendo como pó num vento outonal e lento
E enquanto vemos essa poeira partir
Caímos de joelhos no chão sem nada sentir
Deixamos de ter o que quer que seja dentro de nós
E falecemos sem cuspir uma sequer voz...
A melancolia é uma molécula nociva
Constituída por desespero e por uma beleza depressiva
Vagueia no ar com os ventos nórdicos
Misturada em inaudíveis ecos melódicos
E alguns desfazendo-se em lágrimas a inspiram
E em vez de a expirar a suspiram
E esta anexa-se nas partes da mente
Onde se estimula a paixão como nenhum humano a sente
O seu efeito tem uma efémera evolução
Perdemo-nos na apatia e então caímos na depressão
E todo o humano que a respirou torna-se insono
Pois o lacrimejar torna turva a visão para os portais do sono
E enquanto o eco da melodia aumenta de volume
Na cabeça do melancólico, se resume
Um caminho para insanidade e a procura
De alguém não-existente que nos salve da loucura
Esse alguém não-existente não é mais do que uma necessidade
Que a melancolia nos trouxe como antídoto para a infelicidade
Mas esse antídoto não passa de um vulto negro num cenário cinzento
Desvanecendo como pó num vento outonal e lento
E enquanto vemos essa poeira partir
Caímos de joelhos no chão sem nada sentir
Deixamos de ter o que quer que seja dentro de nós
E falecemos sem cuspir uma sequer voz...
sexta-feira, outubro 01, 2010
O Incomum
Rodeado de uma miséria ilusória
Deglutindo em seco raiva à escória
Enquanto a minha alma sufoca porque quer fugir
Mas está presa a uma corda que trata de a impedir
Esqueço-me do brilho fútil que ficou onde tu passaste
Quando os meus dedos saltam de traste em traste
Assim esqueço neste raio de droga chamado solidão
Onde carrego a minha eternamente fiel Crucis e encontro satisfação
Não quero ser feliz
A felicidade é uma meretriz
Mais dispendiosa que a satisfação
E a tristeza serve-me de inspiração
E aqui estou eu a inspirar tristeza
Inspiro tristeza e expiro realeza
Pintando tudo de ouro
Excepto onde há ser humano seja negro seja louro
Só me interessa a minha Crucis de olhos escuros
Livre de futilidade e pensamentos impuros
Numa vestimenta que condiz com o seu olhar
A única pessoa quem quero acompanhar
E quem me a roubar
É quem vou eliminar
E quem me a destruir
É quem vai ver o seu mundo ruir
Mas eu não estou sozinho...
Nunca vou estar sozinho...
E a única coisa que me interessa perece
Fundido no conformismo onde me afogo
O verbo sofrer
É lento de dizer
Intenso de sentir
Isto é arder
Rodeado de uma miséria ilusória
Deglutindo em seco raiva à escória
Enquanto a minha alma sufoca porque quer fugir
Mas está presa a uma corda que trata de a impedir
Esqueço-me do brilho fútil que ficou onde tu passaste
Quando os meus dedos saltam de traste em traste
Assim esqueço neste raio de droga chamado solidão
Onde carrego a minha eternamente fiel Crucis e encontro satisfação
Não quero ser feliz
A felicidade é uma meretriz
Mais dispendiosa que a satisfação
E a tristeza serve-me de inspiração
E aqui estou eu a inspirar tristeza
Inspiro tristeza e expiro realeza
Pintando tudo de ouro
Excepto onde há ser humano seja negro seja louro
Só me interessa a minha Crucis de olhos escuros
Livre de futilidade e pensamentos impuros
Numa vestimenta que condiz com o seu olhar
A única pessoa quem quero acompanhar
E quem me a roubar
É quem vou eliminar
E quem me a destruir
É quem vai ver o seu mundo ruir
Mas eu não estou sozinho...
Nunca vou estar sozinho...
E a única coisa que me interessa perece
Fundido no conformismo onde me afogo
O verbo sofrer
É lento de dizer
Intenso de sentir
Isto é arder
terça-feira, setembro 21, 2010
Crucis
Crucis
Crucis feitiço de morte
Filha da cruz gótica
Poderosa e forte
Melódica e erótica
O seu compasso
É fruto do meu fétiche inconstante
Gritando da firmeza do aço
Brutal e sonoramente flamejante
Crucis meu amor meu sonho
Que dormes num caixão
Aquilo que sinto em ti componho
Como uma oração
És quem me tira esta corda
Que enrolo no meu pescoço
Abrindo-me caminho para uma horda
De onde maravilhas em conversas de anjos ouço
E no florescer de açucenas negras
Na acrópole de um jardim
Desces tu de uma cruz e me alegras
Prometendo caminhar a meu lado até ao fim...
Crucis feitiço de morte
Filha da cruz gótica
Poderosa e forte
Melódica e erótica
O seu compasso
É fruto do meu fétiche inconstante
Gritando da firmeza do aço
Brutal e sonoramente flamejante
Crucis meu amor meu sonho
Que dormes num caixão
Aquilo que sinto em ti componho
Como uma oração
És quem me tira esta corda
Que enrolo no meu pescoço
Abrindo-me caminho para uma horda
De onde maravilhas em conversas de anjos ouço
E no florescer de açucenas negras
Na acrópole de um jardim
Desces tu de uma cruz e me alegras
Prometendo caminhar a meu lado até ao fim...
segunda-feira, setembro 06, 2010
A Revolta da Natureza Parte 1: A queda do apogeu natural
A Revolta da Natureza Parte 1: A queda do apogeu natural
Oiço a melodia das folhas
Num moderado compasso musical
Em que o vento é maestro
Num belo cenário outonal
Oiço a vinda de uma alcateia
Que corre esfomeada latindo
Para ter forças para uivar à lua cheia
No dia em que o luar for mais lindo
Oiço a maquinaria derrubando árvores
Egoísta e execrável
Ignorando as consequências futuras
Só querendo saber do seu império impenetrável
Oiço descarregamentos de líquidos nocivos
Onde trutas graciosamente nadam
Onde outrora muitos foram beber
E cuja margem era onde casais apaixonados se encontravam
E oiço hoje os lobos de novo
Num latido agora de sofrimento
Correndo procurando o que não conseguem encontrar
Uma pequena porção de alimento...
E caminhando num cenário de desastre
Encontro cadáveres de animais que sucumbiram
Sucumbiram à fome e à sede
Devido à crueldade que os humanos no seu habitat impingiram
Oiço a melodia das folhas
Num moderado compasso musical
Em que o vento é maestro
Num belo cenário outonal
Oiço a vinda de uma alcateia
Que corre esfomeada latindo
Para ter forças para uivar à lua cheia
No dia em que o luar for mais lindo
Oiço a maquinaria derrubando árvores
Egoísta e execrável
Ignorando as consequências futuras
Só querendo saber do seu império impenetrável
Oiço descarregamentos de líquidos nocivos
Onde trutas graciosamente nadam
Onde outrora muitos foram beber
E cuja margem era onde casais apaixonados se encontravam
E oiço hoje os lobos de novo
Num latido agora de sofrimento
Correndo procurando o que não conseguem encontrar
Uma pequena porção de alimento...
E caminhando num cenário de desastre
Encontro cadáveres de animais que sucumbiram
Sucumbiram à fome e à sede
Devido à crueldade que os humanos no seu habitat impingiram
Momento de fraqueza 1
Momento de fraqueza 1
Passo a passo
Vejo mais perto ainda
Os barrotes de aço
Que constituem o portal que este mundo de sonho finda
Caminho sem vontade para o já conhecido
E por o conhecer tão bem
Quem me dera que já tivesse sido esquecido
Um vazio fútil com o qual pareço não conseguir passar sem
E com as portas abertas para felicidade
Questiono porque tal conquista
Remete àquilo que chamo futilidade
E mais uma vez olho para trás para afagar a vista
O cenário é tão melhor
Mas não passa de um sonho
E oiço gritos de almas perdidas no pior
A insanidade de nunca ter um dia realmente risonho
E não é divindade que me salvará
E sei que também não é o orgulho
Mas não passarei para o lado de lá
Onde vejo futilidade num enorme entulho
Vou manter-me aqui a gritar ódio, calado
A destruir o mundo, quieto e sentado
A obter satisfação
Do modo mais depravado, nos confins da imaginação
Só quero passear nestas trevas sem fim
Com algum apoio mental físico
Que molde da melhor maneira possível
Este vazio que preenche o meu peito
Um beco sem saída à minha frente
E uma utopia vazia atrás de mim
Haverá caminho para algum lado
Ou o único caminho é adiantar o fim
Fazer da próxima e último estação
2 metros abaixo do chão
Passo a passo
Vejo mais perto ainda
Os barrotes de aço
Que constituem o portal que este mundo de sonho finda
Caminho sem vontade para o já conhecido
E por o conhecer tão bem
Quem me dera que já tivesse sido esquecido
Um vazio fútil com o qual pareço não conseguir passar sem
E com as portas abertas para felicidade
Questiono porque tal conquista
Remete àquilo que chamo futilidade
E mais uma vez olho para trás para afagar a vista
O cenário é tão melhor
Mas não passa de um sonho
E oiço gritos de almas perdidas no pior
A insanidade de nunca ter um dia realmente risonho
E não é divindade que me salvará
E sei que também não é o orgulho
Mas não passarei para o lado de lá
Onde vejo futilidade num enorme entulho
Vou manter-me aqui a gritar ódio, calado
A destruir o mundo, quieto e sentado
A obter satisfação
Do modo mais depravado, nos confins da imaginação
Só quero passear nestas trevas sem fim
Com algum apoio mental físico
Que molde da melhor maneira possível
Este vazio que preenche o meu peito
Um beco sem saída à minha frente
E uma utopia vazia atrás de mim
Haverá caminho para algum lado
Ou o único caminho é adiantar o fim
Fazer da próxima e último estação
2 metros abaixo do chão
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