De rastos irado neste chão
No betão imune miro o portão,
Epitáfios extensos da razão
É ilusão toda a compaixão,
Marcham aqui por pena
Lamentando a la puta madalena
E até lágrimas têm dinheiro,
Até lágrimas têm interesse
Corrupto o mundo inteiro,
E que o mundo se fodesse
Esmigalham mais no martelo-pilão,
E vendem a uma qualquer dimensão.
Palavras fracas e braços podres
Demagogia sem respeito,
Enchem-se os odres
Vaza-se o peito
Saem da jaula de calças na mão,
Salário e silêncio sem coração
Escravatura mental sem logística,
Congregação empresarial
Nebulosa e mística
Escapa o elefante rosa em vendaval,
E decreta-se rebuçado social
Colocam-se cremalheiras na boca do povo,
Nos cântaros da esperança as ventosas
O burguês de ouro o homem-polvo,
Sob as condições mais horrorosas
Adquirindo tudo o que o tentáculo agarra,
Inópia do povo, e é mais uma farra.
Lírica vermelha, social, conflituosa, introspectiva, preocupada, livre, patriótica, agressiva, gritada, dolorosa e apaixonadamente manufacturada.
segunda-feira, setembro 30, 2013
domingo, setembro 08, 2013
Olhos para fechar
Ladeado de campos de trigo
Silenciosa foice colada na mão,
Suor, não mais humano e não
Saber mais como ainda consigo,
Numa bizarra submissão
Humilhante sobrevivência,
Justiça tem ambivalência
Advoga a quem não tem coração,
E ainda exaustos nos gaseiam
Viver serve para temer,
Ser infeliz e não poder escolher
Pensar é o que mais odeiam,
Quem pode rudemente escarra
Quem não pode é aniquilado,
Quem se atreve desesperado
Toca em escala menor a guitarra,
O mundo está corrompido
Devorado pela ganância,
Cornucópia para extravagância
E tão mal distribuída,
E não vêm, não ouvem, não falam
Humanos nesta geração digital,
Conectados à moda do capital
Desconectando-se e nem se ralam,
Humanos sem mais humanidade
Perdidos na graça material e banal,
Acreditam habitar uma aldeia global
Mas é uma extensa e imunda cidade,
E nos anúncios sorriem, é a manipulação
Seguem um pátio colorido para a desolação,
Fecharam-se sem grades numa grotesca prisão
E mirando a podre realidade, uma desilusão.
Silenciosa foice colada na mão,
Suor, não mais humano e não
Saber mais como ainda consigo,
Numa bizarra submissão
Humilhante sobrevivência,
Justiça tem ambivalência
Advoga a quem não tem coração,
E ainda exaustos nos gaseiam
Viver serve para temer,
Ser infeliz e não poder escolher
Pensar é o que mais odeiam,
Quem pode rudemente escarra
Quem não pode é aniquilado,
Quem se atreve desesperado
Toca em escala menor a guitarra,
O mundo está corrompido
Devorado pela ganância,
Cornucópia para extravagância
E tão mal distribuída,
E não vêm, não ouvem, não falam
Humanos nesta geração digital,
Conectados à moda do capital
Desconectando-se e nem se ralam,
Humanos sem mais humanidade
Perdidos na graça material e banal,
Acreditam habitar uma aldeia global
Mas é uma extensa e imunda cidade,
E nos anúncios sorriem, é a manipulação
Seguem um pátio colorido para a desolação,
Fecharam-se sem grades numa grotesca prisão
E mirando a podre realidade, uma desilusão.
quarta-feira, agosto 14, 2013
Hino de um Acordar
Um oceano revolto de desespero
A lamentação vulgar deambulante,
Trono sem reino onde impero
Combustível exasperante;
Canalização oxidada onde nada corre
Obliteração do meu destino,
Tudo dança sem vontade até que morre
E por mais que toquem o sino,
Perco-me numa estrada sem saídas,
Levo o encargo dentro de mim
Enquanto me rasgo e saro feridas
Um beijo na alma lá no fim,
A verdade então desaba,
Que até o fim acaba.
Colho segundos de prazer
Em milénios de sofrimento,
A garganta nada tem a dizer
Rasga-se de dor neste desalento,
Tanto um homem tem que esperar
Atravessar os obstáculos mais inúteis,
Plebeu num mundo de já escasso pulsar
Ajoelhar perante os que se ajoelham mais fúteis,
Sobreviver comum,
Ser só mais um.
Ser...?
O espírito esmorece
Neste urbano desencanto,
A ilusão que padece
Na qual eu louco canto
Renego capital e materialismo,
Sou profano adorador do metafísico
Odeio entidades falsas e aproveito-me do simbolismo,
Sou apaixonado e o meu coração está tísico...
Estou rodeado de um mundo colorido...
Que cai em mim sem cor alguma!
Onde todos em fila acreditam no seu santo preferido,
E EU ACREDITO EM COISA NENHUMA!
A lamentação vulgar deambulante,
Trono sem reino onde impero
Combustível exasperante;
Canalização oxidada onde nada corre
Obliteração do meu destino,
Tudo dança sem vontade até que morre
E por mais que toquem o sino,
Perco-me numa estrada sem saídas,
Levo o encargo dentro de mim
Enquanto me rasgo e saro feridas
Um beijo na alma lá no fim,
A verdade então desaba,
Que até o fim acaba.
Colho segundos de prazer
Em milénios de sofrimento,
A garganta nada tem a dizer
Rasga-se de dor neste desalento,
Tanto um homem tem que esperar
Atravessar os obstáculos mais inúteis,
Plebeu num mundo de já escasso pulsar
Ajoelhar perante os que se ajoelham mais fúteis,
Sobreviver comum,
Ser só mais um.
Ser...?
O espírito esmorece
Neste urbano desencanto,
A ilusão que padece
Na qual eu louco canto
Renego capital e materialismo,
Sou profano adorador do metafísico
Odeio entidades falsas e aproveito-me do simbolismo,
Sou apaixonado e o meu coração está tísico...
Estou rodeado de um mundo colorido...
Que cai em mim sem cor alguma!
Onde todos em fila acreditam no seu santo preferido,
E EU ACREDITO EM COISA NENHUMA!
quinta-feira, agosto 01, 2013
Enquanto o amor arder...
Enquanto o amor arder
Meu sangue ardente,
Com vida vividamente
Voraz haverá de correr,
Enquanto o amor arder
Lealdade será única lei,
Sobre a ordem cuspirei
Se é necessário para te ter,
Enquanto o amor arder
Desejo-te espiritualmente,
Almejo-te carnalmente
Aguentarei todo o sofrer,
Enquanto o amor arder
Tuas carícias armadura,
Beijos, espada rasgando amargura
E só por ti hei de combater,
Enquanto o amor arder
Só nos teus olhos vejo mulher,
E derrubarei tudo o que vier
Se esta paixão me forcem conter,
E se o amor não mais arder
Recusares a minha mão,
E expulsares-me do teu coração
Eu não poderei mais eu ser.
Meu sangue ardente,
Com vida vividamente
Voraz haverá de correr,
Enquanto o amor arder
Lealdade será única lei,
Sobre a ordem cuspirei
Se é necessário para te ter,
Enquanto o amor arder
Desejo-te espiritualmente,
Almejo-te carnalmente
Aguentarei todo o sofrer,
Enquanto o amor arder
Tuas carícias armadura,
Beijos, espada rasgando amargura
E só por ti hei de combater,
Enquanto o amor arder
Só nos teus olhos vejo mulher,
E derrubarei tudo o que vier
Se esta paixão me forcem conter,
E se o amor não mais arder
Recusares a minha mão,
E expulsares-me do teu coração
Eu não poderei mais eu ser.
terça-feira, julho 16, 2013
Morte da Decência
Um moderno ritual animal, uma dança
Fotografa natural lubrificante,
Suplicar digital de um lança
Digita gemido oco insignificante,
Emporcalha caixa de carne humana
Que guarda memórias de suor e calor,
Mas lembrará quando não insana
Cada mente sem qualquer pudor?
Olvida o obsoleto...´
E então...
Perdendo a razão,
Insiste na procura do amor incerto...
Divulgação do pessoal
Uma lágrima pelo direito,
Traído pela sordidez colossal
Faz-se República sem respeito,
Acéfala incompreensão dos dedos
Que apontam enojados sem dó,
Esquece que esqueceu medos
Quando com esses dedos tocou-se só,
Num beco de um solipsismo de ilusão
É um produto grotesco maquinal,
Puta numa meretriz multidão
Um deprimente declínio cultural,
Canções de estandarde podre regurgitam
Frequências manipuladoras incitam,
E escacham as pernas em incontinência
Induzo certamente a morte certa da decência.
Fotografa natural lubrificante,
Suplicar digital de um lança
Digita gemido oco insignificante,
Emporcalha caixa de carne humana
Que guarda memórias de suor e calor,
Mas lembrará quando não insana
Cada mente sem qualquer pudor?
Olvida o obsoleto...´
E então...
Perdendo a razão,
Insiste na procura do amor incerto...
Divulgação do pessoal
Uma lágrima pelo direito,
Traído pela sordidez colossal
Faz-se República sem respeito,
Acéfala incompreensão dos dedos
Que apontam enojados sem dó,
Esquece que esqueceu medos
Quando com esses dedos tocou-se só,
Num beco de um solipsismo de ilusão
É um produto grotesco maquinal,
Puta numa meretriz multidão
Um deprimente declínio cultural,
Canções de estandarde podre regurgitam
Frequências manipuladoras incitam,
E escacham as pernas em incontinência
Induzo certamente a morte certa da decência.
sábado, julho 13, 2013
Duas Semanas de Cessar Fogo
Rumo ao Norte
Quase alucino,
Doce destino
Gozo a sorte;
Deixo tudo
Faço-me curdo,
Sou cego, surdo
E mudo;
Cancelo o físico
Que não se digne a servir,
De modo a poder sentir
Tu, cuja ausência me põe tísico,
Tusso de dor
Desidrato lacrimejando,
Especturação sufocando
Adoece sentir amor.
Tão distante
Numa serra,
Que se encerra
Nunca obstante,
A civilização
A onda,
Interfere na minha sonda
Para ver o teu coração,
E quando cavo para passar
Abro-te o peito,
Sem preceito
Para o teu coração apreciar,
Sem dor, sem sangue, sem corte
Sou cirurgião espiritual num abraço,
Revelo também sem embaraço
Paixão que resiste até a morte,
Sem dor, sem sangue, sem anestesia
Sou cirurgião espiritual num beijo,
Que com sofreguidão desejo
E suplico todo dia;
Esqueci oceanos de pensamento em vão
O meu ser conheceu um cessar fogo,
Arsenal arrumado como sempre rogo
De dor que me avassala a uma condenação,
Tive a tua distracção
Que na incerteza da minha existência,
Na possível dimensão de desconhecida demência
Tu serias a melhor alucinação;
Larguei o que é material
A origem do meu mal,
Fiz do mundo apenas tu e eu
Um planeta profundo, meu,
Pelo tempo rasgado
Que na sua liberdade,
Sem piedade
Tortura-me malvado,
Não queria largar a pureza
Mas a obrigação pôs-me na estrada,
A minha arbitrariedade é questionada
Lavado em lágrimas, coberto de incerteza,
Sou como besta em transporte de gado
Não tenho mãos para ficar,
As mãos que só te querem tocar
Vêm invisíveis grilhetas serem o seu fado,
E é frustrante
Como rodeado de fartura,
A minha alma só se atura
No verosímil instante...
Em que estás perto...
Regresso,
Morro,
Jorro,
De rojo,
Em excesso,
Choro abatido,
Alvejado dorido,
De volta ao sufoco...
A saudade...
O esperar...
O fim...
Quase alucino,
Doce destino
Gozo a sorte;
Deixo tudo
Faço-me curdo,
Sou cego, surdo
E mudo;
Cancelo o físico
Que não se digne a servir,
De modo a poder sentir
Tu, cuja ausência me põe tísico,
Tusso de dor
Desidrato lacrimejando,
Especturação sufocando
Adoece sentir amor.
Tão distante
Numa serra,
Que se encerra
Nunca obstante,
A civilização
A onda,
Interfere na minha sonda
Para ver o teu coração,
E quando cavo para passar
Abro-te o peito,
Sem preceito
Para o teu coração apreciar,
Sem dor, sem sangue, sem corte
Sou cirurgião espiritual num abraço,
Revelo também sem embaraço
Paixão que resiste até a morte,
Sem dor, sem sangue, sem anestesia
Sou cirurgião espiritual num beijo,
Que com sofreguidão desejo
E suplico todo dia;
Esqueci oceanos de pensamento em vão
O meu ser conheceu um cessar fogo,
Arsenal arrumado como sempre rogo
De dor que me avassala a uma condenação,
Tive a tua distracção
Que na incerteza da minha existência,
Na possível dimensão de desconhecida demência
Tu serias a melhor alucinação;
Larguei o que é material
A origem do meu mal,
Fiz do mundo apenas tu e eu
Um planeta profundo, meu,
Pelo tempo rasgado
Que na sua liberdade,
Sem piedade
Tortura-me malvado,
Não queria largar a pureza
Mas a obrigação pôs-me na estrada,
A minha arbitrariedade é questionada
Lavado em lágrimas, coberto de incerteza,
Sou como besta em transporte de gado
Não tenho mãos para ficar,
As mãos que só te querem tocar
Vêm invisíveis grilhetas serem o seu fado,
E é frustrante
Como rodeado de fartura,
A minha alma só se atura
No verosímil instante...
Em que estás perto...
Regresso,
Morro,
Jorro,
De rojo,
Em excesso,
Choro abatido,
Alvejado dorido,
De volta ao sufoco...
A saudade...
O esperar...
O fim...
sábado, junho 29, 2013
Conto de Encantar/Enganar
No sangue lento serpenteia
Jazigo de tamanha incerteza,
Fastio numa envenenada ceia
Ilusão de inópia de riqueza,
Semblante roxo de sufoco
Desejo ardente de corpo,
Ecoa o crânio que é ôco
Rejeição odiosa num sopro,
A perfeição eu usurpo
Num divã de falsa memória,
Que arduamente deturpo
Perante a bruma da história,
Sacralidade do secreto
Num manto ritualístico,
Fractura exposta num feto
De impudor nojo eucarístico,
Reverbera a paixão
Numa tentativa do místico,
Desmascarar em inconclusão,
Porque o sincero desejo
Minar a felicidade humana,
Na procura do teu beijo
Pereça na ignorância insana,
Pois na incerteza de existir
Se viver é alucinar
Que alucine a resistir,
À força dos cultos e contos de enganar,
Num sentir de querer algo carnal
Em apreciação da verosímil realidade
Num respeito que é quase canibal
Tomo-te na tua tez clara em rejeição de qualquer outra verdade,
Respeitando um único culto nesta dimensão
Que é cuidar das mãos onde guardei o meu coração.
Jazigo de tamanha incerteza,
Fastio numa envenenada ceia
Ilusão de inópia de riqueza,
Semblante roxo de sufoco
Desejo ardente de corpo,
Ecoa o crânio que é ôco
Rejeição odiosa num sopro,
A perfeição eu usurpo
Num divã de falsa memória,
Que arduamente deturpo
Perante a bruma da história,
Sacralidade do secreto
Num manto ritualístico,
Fractura exposta num feto
De impudor nojo eucarístico,
Reverbera a paixão
Numa tentativa do místico,
Desmascarar em inconclusão,
Porque o sincero desejo
Minar a felicidade humana,
Na procura do teu beijo
Pereça na ignorância insana,
Pois na incerteza de existir
Se viver é alucinar
Que alucine a resistir,
À força dos cultos e contos de enganar,
Num sentir de querer algo carnal
Em apreciação da verosímil realidade
Num respeito que é quase canibal
Tomo-te na tua tez clara em rejeição de qualquer outra verdade,
Respeitando um único culto nesta dimensão
Que é cuidar das mãos onde guardei o meu coração.
domingo, junho 16, 2013
Ódio a Deus
Acéfala crença divina
Arruína a minha história,
A humilhação cretina
Atrocidade, a glória,
Odeio o criador
Trono de imundície,
Falso eterno amor
Ornamentos de tortura
Vómito vem à superfície,
Acreditar pelo terror.
Aprender a temer Deus
Em palavras manipuladoras,
Catedrais são os liceus
Formam almas pecadoras,
Leccionam o bem, mal
E causam-me nojo,
Numa hipocrisia carnal
Aceito a hóstia
Peregrino de rojo,
E mastigo-a como um animal.
Apodrece no meu estômago ateu
A meretriz eucarístia,
Que ao tragar infame me doeu
Pois quanto mais me iluminava,
Mais eu desistia
Porque a sinapse correcta
Lustrosamente me mostrava,
Que se existe o Grande
É para ser odiado!
Porque em reivindicações
De carícias na glande,
Não vejo prostrado
Em sumptuosas instituições,
A felicidade e a esperança
E não é a cegueira
Porque à minha beira,
Num suplício passo de dança,
Vejo o sofrimento a persistir
Deus é para ser odiado enquanto eu existir.
Arruína a minha história,
A humilhação cretina
Atrocidade, a glória,
Odeio o criador
Trono de imundície,
Falso eterno amor
Ornamentos de tortura
Vómito vem à superfície,
Acreditar pelo terror.
Aprender a temer Deus
Em palavras manipuladoras,
Catedrais são os liceus
Formam almas pecadoras,
Leccionam o bem, mal
E causam-me nojo,
Numa hipocrisia carnal
Aceito a hóstia
Peregrino de rojo,
E mastigo-a como um animal.
Apodrece no meu estômago ateu
A meretriz eucarístia,
Que ao tragar infame me doeu
Pois quanto mais me iluminava,
Mais eu desistia
Porque a sinapse correcta
Lustrosamente me mostrava,
Que se existe o Grande
É para ser odiado!
Porque em reivindicações
De carícias na glande,
Não vejo prostrado
Em sumptuosas instituições,
A felicidade e a esperança
E não é a cegueira
Porque à minha beira,
Num suplício passo de dança,
Vejo o sofrimento a persistir
Deus é para ser odiado enquanto eu existir.
quarta-feira, junho 05, 2013
Receptor de Projécteis
Despedaçado nos solos da Normandia
Conheço silêncio após o caos sonoro
E quanto mais ruído de artilharia
Mais pelo cessar da guerra eu imploro
Posição errada no campo de batalha
Olhos beligerantes postos em mim
Arsenal manuseado cujo som atrapalha
Orquestrando o meu inglorioso fim
E numa ingrata fracção de segundo
A intenção maldosa do lado oposto
Faz a bala cravejar tão profundo
Porque é que deixei o meu posto?
E o metal frio que a máquina fez projéctil
Torna-se quente expondo meu sangue
A minha “coragem” de soldado foi inútil
Imagens aparecem em efeito bumerangue
As mãos onde nasceu o arremesso
São o triste consumar da minha morte
E sinto tão pesado e tão espesso
O meu infortúnio a minha sorte
E quando o meu corpo então cede
E conhece o chão onde se pousa
Uma infame mina como que pede
O meu cadáver que jamais repousa
E tendo sido ainda capaz de ouvir
Para culminar num estrondoso horror
Os pedaços do meu corpo a fluir
Livremente pelo espaço em redor
Como tão livres são feitos os mercados
Controlados pela burguesia com as suas putas
Que fazem de nós meninos de recados
Cujo serviço é fatal nestas lutas
Porque neste planeta nada mais importa
Do que a protecção do liberalismo económico
Que tão cruelmente e insensível exorta
Batalhões varridos a ritmo supersónico
E não há Deus aqui que me ajude
Tudo é um profundo e negro sono
Como nunca tive e que nesta bruma alude
À conquista de um indisputável trono
Que nem os capitais podem recuperar
Que me putrefaça em paz sem corrupção
A minha morte ninguém pode privatizar
Neste mundo morrendo sem compaixão
Estrume orgânico é a minha dimensão
Química complexa sou só mais uma baixa
Consciência, alma é tudo uma ilusão
E no meu funeral o general recebe a sua faixa.
Conheço silêncio após o caos sonoro
E quanto mais ruído de artilharia
Mais pelo cessar da guerra eu imploro
Posição errada no campo de batalha
Olhos beligerantes postos em mim
Arsenal manuseado cujo som atrapalha
Orquestrando o meu inglorioso fim
E numa ingrata fracção de segundo
A intenção maldosa do lado oposto
Faz a bala cravejar tão profundo
Porque é que deixei o meu posto?
E o metal frio que a máquina fez projéctil
Torna-se quente expondo meu sangue
A minha “coragem” de soldado foi inútil
Imagens aparecem em efeito bumerangue
As mãos onde nasceu o arremesso
São o triste consumar da minha morte
E sinto tão pesado e tão espesso
O meu infortúnio a minha sorte
E quando o meu corpo então cede
E conhece o chão onde se pousa
Uma infame mina como que pede
O meu cadáver que jamais repousa
E tendo sido ainda capaz de ouvir
Para culminar num estrondoso horror
Os pedaços do meu corpo a fluir
Livremente pelo espaço em redor
Como tão livres são feitos os mercados
Controlados pela burguesia com as suas putas
Que fazem de nós meninos de recados
Cujo serviço é fatal nestas lutas
Porque neste planeta nada mais importa
Do que a protecção do liberalismo económico
Que tão cruelmente e insensível exorta
Batalhões varridos a ritmo supersónico
E não há Deus aqui que me ajude
Tudo é um profundo e negro sono
Como nunca tive e que nesta bruma alude
À conquista de um indisputável trono
Que nem os capitais podem recuperar
Que me putrefaça em paz sem corrupção
A minha morte ninguém pode privatizar
Neste mundo morrendo sem compaixão
Estrume orgânico é a minha dimensão
Química complexa sou só mais uma baixa
Consciência, alma é tudo uma ilusão
E no meu funeral o general recebe a sua faixa.
terça-feira, maio 28, 2013
Marcha Hedónica
Um mundo corrompido, pelo mal e pela falsa inocência
Onde corrompida é, a realização pela realização
Da origem da corrupção, que emprega por excelência
Nas mais raquíticas camadas, a mais potente danação
O Divino lança veneno, em sua duvidosa existência
Num bizarro tão obtuso, que hipnotizante instiuição
Celebra-o proprietário do trono global, em magnificência
Sumptuosidade e bondade, que se esculpe em enredos de violação
Violação das suas próprias leis, em invólucros de prazer
Prazer violador, que age tão animalisticamente
Cai por terra a honestidade, e os bons valores
E tão enojado, em hesitações de regurgitação iminente
Choco-me por tamanha acidez de sabores
Escandalizo-me pela passeata vulgar, isenta de pudores
Força motriz de viver, é cópula e opiáceo
É tudo puramente físico, nem poeticamente metafísico numa pocilga de horrores
Onde é reduzido e desvalorizado, um obsoleto rácio
Entre a satisfação e a dignidade, jamais revisionados os seus meios
Porque neste mundo corrompido, a auto-humilhação é o feto
Numa gestação de sensações éfemeras, mãos que sustentam seios
Bocas que albergam falos, num pobre, podre e nojento dialecto
Sórdidas gentes marcham aviltantes, numa manifestação hedónica
Desiludidos em falsas desilusões, escondendo erótico amuleto
Desenham numa tela frágil, prospectos de fragmentação supersónica
Porque sofrer dói demasiado, e é substituído em vícios de forma irónica
E eu mirando a realidade, ponho olhos de predador em cianeto
Porque não suporto afogar-me, nestas heras humanas imundas
Tão superficiais e plásticas, julgando-se maquinaria complexa
Em verborreias estandardizadas, em repetições tidas profundas
E neste ritmo sôfrego de decepção, que em mim se anexa
Sinto cólera, fúria e ira, que mal consigo dissimular
E abafando traços filantrópicos, da utopia que habita em mim
Divinalmente tenho pretensões, de caos e sangue fazer prosperar
E apreciando o cravejar de epitáfios, ver a paz e a inocência. Fim.
Onde corrompida é, a realização pela realização
Da origem da corrupção, que emprega por excelência
Nas mais raquíticas camadas, a mais potente danação
O Divino lança veneno, em sua duvidosa existência
Num bizarro tão obtuso, que hipnotizante instiuição
Celebra-o proprietário do trono global, em magnificência
Sumptuosidade e bondade, que se esculpe em enredos de violação
Violação das suas próprias leis, em invólucros de prazer
Prazer violador, que age tão animalisticamente
Cai por terra a honestidade, e os bons valores
E tão enojado, em hesitações de regurgitação iminente
Choco-me por tamanha acidez de sabores
Escandalizo-me pela passeata vulgar, isenta de pudores
Força motriz de viver, é cópula e opiáceo
É tudo puramente físico, nem poeticamente metafísico numa pocilga de horrores
Onde é reduzido e desvalorizado, um obsoleto rácio
Entre a satisfação e a dignidade, jamais revisionados os seus meios
Porque neste mundo corrompido, a auto-humilhação é o feto
Numa gestação de sensações éfemeras, mãos que sustentam seios
Bocas que albergam falos, num pobre, podre e nojento dialecto
Sórdidas gentes marcham aviltantes, numa manifestação hedónica
Desiludidos em falsas desilusões, escondendo erótico amuleto
Desenham numa tela frágil, prospectos de fragmentação supersónica
Porque sofrer dói demasiado, e é substituído em vícios de forma irónica
E eu mirando a realidade, ponho olhos de predador em cianeto
Porque não suporto afogar-me, nestas heras humanas imundas
Tão superficiais e plásticas, julgando-se maquinaria complexa
Em verborreias estandardizadas, em repetições tidas profundas
E neste ritmo sôfrego de decepção, que em mim se anexa
Sinto cólera, fúria e ira, que mal consigo dissimular
E abafando traços filantrópicos, da utopia que habita em mim
Divinalmente tenho pretensões, de caos e sangue fazer prosperar
E apreciando o cravejar de epitáfios, ver a paz e a inocência. Fim.
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